sexta-feira, 1 de abril de 2005

AINDA ... SAÚDE - DENTE DO SISO



Por volta de 80% dos dentes do siso têm mesmo de ser extraídos


Dentes do siso são os últimos a nascer, no fim das arcadas. Dependendo do espaço, pode nascer um, dois, três e até os quatro. Quando seu caminho de erupção está bloqueado, ficam retidos no osso. É comum, então, a pessoa ter dor e infecção. Já os sisos que nascem tortos às vezes levam à desorganização dos dentes próximos. Hoje, 80% dos sisos causam problemas e são retirados.

por Leonardo Grandino Gaspar*


Os dentes do siso são os terceiros molares. São os quatro ltimos dentes humanos a se desenvolver e aparecer nas arcadas, atrás dos segundos molares, que nascem por volta dos 12 anos. A função dos dentes do siso ou terceiros molares - como o próprio nome sugere - é "moer", triturar os alimentos ingeridos para que possam ser engolidos com facilidade. Os sisos são chamados também de "dentes do juízo", porque normalmente aparecem entre 18 e 20 anos, período em que as pessoas deixam de ser "crianças" e começam a assumir
as suas responsabilidades, "tomam juízo". Do passado longínquo, no tempo em que viviam nas cavernas, até o final do século XIX, as pessoas consumiam alimentos mais duros - sobretudo carnes assadas - e naturalmente faziam muita força para triturá-los. Desenvolviam, conseqüentemente, tanto a musculatura da face quanto as arcadas dentárias. Estas apresentavam então espaço suficiente para o nascimento de todos os sisos.

Hoje, ao contrário, como as crianças em fase de desenvolvimento facial dispõem de grande número de alimentos industrializados macios, não precisam fazer tanta força ao mastigar - às vezes nem precisam mastigar, porque muitas, por descuido dos pais, consomem por mais tempo que deveriam apenas alimentos líquidos ou pastosos. A arcada dentária não se desenvolve; ao contrário, torna-se cada vez menor. E falta espaço para os dentes de siso, cuja tendência, ao que parece, é desaparecerem. Dependendo do espaço nas arcadas, vale destacar, pode nascer tanto um único siso, quanto dois, três ou mesmo todos os quatro. Quando tais dentes têm seu caminho de erupção bloqueado, ficam "inclusos", ou seja, retidos dentro do osso.

Pessoas que têm os sisos inclusos podem apresentar dor e infecção nas arcadas. É comum igualmente ocorrer a formação de cisto ? acúmulo de fluidos na região do dente bloqueado -, o que freqüentemente causa danos como destruição do osso periférico, tumores e inflamação de nervos. Embora isso ocorra bastante, nem sempre as pessoas têm sintomas. Quando um siso nasce torto, de outro lado, é comum provocar uma desorganização nos demais dentes. O ideal, naturalmente, é que o dentista acompanhe todo o desenvolvimento dos terceiros molares, ou dentes do siso, a partir dos 15 anos de idade de um indivíduo. O profissional faz perdiodicamente tanto exames clínicos quanto radiografias panorâmicas e, desse modo, monta um quadro completo e preciso da situação. O acompanhamento permite também um diagnóstico correto quanto à necessidade ou não da remoção dos sisos.

O dentista habilitado para esse procedimento é o cirurgião bucomaxilofacial. Além do conhecimento e da habilidade, ele precisa dispor de um local apropriado (centro cirúrgico), com toda a segurança para evitar contaminações e infecções pós-cirúrgicas. A retirada deve ocorrer em um momento em que as raízes ainda não se formaram completamente e a estrutura óssea não é tão densa. Hoje em dia, por volta de 80% dos dentes do siso normalmente causam problemas e precisam ser extraídos. A remoção é feita usando técnicas cirúrgicas apropriadas para cada caso, o que minimiza os efeitos pós-cirúrgicos - sangramento, dores e inchaço, por exemplo - e evita erros como fratura mandibular, extração indesejada de segundos molares e lesão de nervos. As pessoas não precisam mais ter medo de extrações dentárias, em especial dos sisos. A moderna tecnologia anestésica torna possível o procedimento com o mínimo desconforto, controlando a dor e a ansiedade do paciente com medicação pré-operatória, como sedação com máscara de óxido nitroso ou intravenosa, dependendo da disposição do paciente e do tempo de duração da cirurgia.

* Leonardo Grandino Gaspar (31), cirurgião dentista na capital paulista, é cirurgião bucomaxilofacial com especialização em disfunção temporomandibular (ATM) pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). E-mail: leonardo@jcgaspar.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário