Objetos, fragmentos de ossos e pedaço de crânio de pessoas que viveram na caridade são preservados por religiosos capuchinos e marista.
NARA LÚCIA
O Recife é um celeiro de relíquias de santos e de candidatos a santo. Fragmentos de ossos, pedaço de crânio, amostra de hábito, objetos de pessoas que viveram na caridade e no desapego – e que obtiveram o céu como recompensa de suas virtudes – são preservados por religiosos capuchinhos e maristas sem que muita gente saiba. E podem ser venerados por quem precisa de sinais visíveis para exprimir sua fé.
A Basílica de Nossa Senhora da Penha, no bairro de São José, Centro da cidade, é guardiã de relíquias de três santos e de um candidato à honra dos altares. De São Félix, nascido em 1513 em Cantalice, na Itália, um pedaço do hábito pode ser visto num relicário ao lado de sua imagem. O santo, que passou 40 anos num convento capuchinho, pedindo esmolas para distribuí-las aos pobres, morreu em 18 de maio de 1587 e foi canonizado em 1709.
Na cabeça de cera da imagem de São Clemente está depositado um pedaço de seu crânio. E numa caixa de vidro parte do esqueleto, revela frei Bosco da Paz. “São Clemente amava a eucaristia. Tinha de 11 a 14 anos quando foi martirizado defendendo a Igreja. Foi jogado aos leões e devorado da cintura para baixo”, conta o frade.
Sangue e fragmentos de ossos de Santo Urbano também se encontram na basílica, com lápide informando da exumação do mártir nas catacumbas de Santa Ciríaca, em Roma, em 16 de fevereiro de 1793. Frei João da Paz, reitor da basílica, pouco sabe da história do mártir. Os capuchinhos mais velhos contaram aos mais novos que o santo foi um soldado romano convertido ao cristianismo.
Do candidato a santo dom Vital, a basílica guarda os restos mortais, num dos altares, e a batina, estola e capa de asperge no museu, no mesmo local. Dom Vital Gonçalves de Oliveira, nascido em 1844, em Pernambuco, começou a vida religiosa no Convento da Penha como frade capuchinho.
Foi um dos protagonistas da chamada Questão Religiosa, conflito entre a Igreja Católica e o Império brasileiro por causa da maçonaria. Em 1874, foi condenado a quatro anos de prisão por não retroceder em seus atos, como desejava o governo imperial. Quando assumiu, dom Vital encontrou parte do clero ligada à maçonaria. Descontente, solicitou aos maçons que optassem entre a maçonaria e as irmandades religiosas.
Morreu em 4 de julho de 1878, após receber a última absolvição. O processo de canonização do bispo foi iniciado na década de 1930 e reiniciado em 2001. É considerado mártir porque deu a vida pela Igreja.
Em outro endereço dos capuchinhos, o Convento São Félix de Cantalice, no Pina, Zona Sul da cidade, estão depositados os restos mortais, mobiliários e objetos pessoais de frei Damião de Bozzano, religioso italiano que viveu por mais de 60 anos em Pernambuco e realizou inúmeras missões no Nordeste.
Pio Giannoti, seu nome verdadeiro, nasceu em 5 de novembro de 1898 e morreu em 31 de maio de 1997. Seis anos após sua morte foi aberto o processo de beatificação e canonização do frade capuchinho que teve como primeiro endereço no Brasil o Convento da Penha.
Com a autorização do Vaticano para a abertura dos dois processos, frei Damião e dom Vital são considerados servos de Deus. Isso significa que já se pode elaborar uma oração em nome deles. Frei João da Paz diz que guardar relíquias é uma forma de se preservar o que representa um sinal de Deus na vida dessas pessoas.
Na Zona Norte da cidade, no Historial Marista, em Apipucos, podem ser vistas várias relíquias de São Marcelino Champagnat, padre francês fundador da primeira escola marista. Lá estão paramentos que pertenceram ao santo, fragmentos de osso e do genuflexório do quarto onde dormia, véu do cálice e da patena usados por ele e o pano que enxugou seus ossos.
São Marcelino nasceu em 20 de maio de 1789. Aos 15 decidiu ser padre. Ao morrer, em 1840, havia formado 421 irmãos maristas e instalado 48 escolas. Foi canonizado em 18 de abril de 1999. Irmão Raimundo Paulo está certo de que as relíquias fazem as pessoas se sentirem mais perto do santo e de Deus.
Culto a fragmentos e objetos tem origem no século 4Publicado em 24.07.2005
As descobertas e transladações das relíquias de santos tiveram início no fim do século 4, diz a história. O primeiro promotor e incentivador do culto às relíquias foi Santo Ambrósio, nas cidades italianas de Milão e Bolonha. Em Roma, capital da Itália, o culto foi ampliado no fim do século 7, quando se exumaram os mártires que repousavam nos cemitérios suburbanos e recolheram os despojos para alguma igreja.
No ano 415, perto de Jerusalém, foram descobertos os despojos de Santo Estêvão. Um fragmento de seus restos mortais foi enviado a Hipona, onde, segundo a tradição, começou a operar milagres. A partir de então, a existência de uma partícula do corpo ou da veste de um santo, onde quer que fosse, atraía fiéis.
A difusão das relíquias, ainda segundo a história, multiplicava os centros de culto, mas esse culto ficava sempre ligado a um vestígio do santo. O lugar onde tal culto se libertava de toda referência material ao santo era a basílica vaticana.
A Igreja Católica tem em alta conta as relíquias de santos. O Concílio Vaticano II, realizado de 1962 a 1965 e considerado uma lufada de ar na Igreja, convidou os católicos a cultuar os santos. “Suas relíquias autênticas e imagens sejam tidas em veneração. Pois as festas dos santos proclamam as maravilhas de Cristo operadas em seus servos e mostra aos fiéis os exemplos oportunos a serem imitados”, diz a Constituição Sacrosanctum Concilium.
O Catecismo da Igreja Católica também estimula a valorização das formas da piedade dos fiéis e da religiosidade popular, entre elas a veneração das relíquias.
BASÍLICA DA PENHA – Depositária de relíquias preciosas de santos, a Basílica de Nossa Senhora da Penha, no Centro do Recife, teve os corredores laterais interditados por medida de segurança. Neles ficam 16 altares. Infiltrações e cupins estão destruindo adornos de gesso, a cúpula de 43 metros de altura e o teto da sacristia, que precisa ser escorado para não desabar. A estrutura metálica também foi atingida.
O orçamento para a recuperação ainda não está pronto. O reitor da basílica, frei João da Paz, diz que há três anos os gastos estavam calculados em R$ 2,3 milhões. A manutenção da igreja e do convento dos frades capuchinhos é feita com ajuda dos fiéis. Para custear a obra, a coordenadora de eventos da basílica, Telma Liege, diz que serão realizadas várias atividades até o fim do ano.
A Igreja da Penha, inaugurada em 1882, foi elevada à basílica em 1950. O título é concedido pelo Vaticano a uma igreja ou catedral por sua importância na vida da Igreja Católica, por sua tradição e pelos trabalhos realizados na comunidade.
Francy!
ResponderExcluirTudo bom?
Por aqui isso è comum..Mas eu gosto, quero smepre saber a historia, a vida deste santos, que antes foram pessoas..
Beijos
Por aqui pela Itália???? pois é, no Brasil costumam esquecer tudo e por essas bandas de cá, tudo é motivo de um museu, uma relíquida guardada a sete chaves, coberta por mantos sagrados, vidros de 20 mm de espessura enfim tudo não passa de uma forma de se ganhar dinheiro, o que muitos brasileiros que guardam nossos tesouros ainda náo aprenderam.....
ResponderExcluirbeijinhos,,,