Retornando ao Multiply e ao convivio com os amigos....
Retrospectiva
Vilma Duarte
Fim de ano, tudo igual.
A mesma azáfama de preparar o ritual das boas-festas, a obrigação cultural de cumprir o ritual nos conformes, com a obsessão de estar acompanhado e feliz.
Festas muito boas são preparadas em harmonia com o amor, a espontaneidade e a motivação.
Outras...nem tanto!
Se pudesse mudar a mesmice do arremate do ano, juro que riscava a tal retrospectiva.
Rasgando o convite para rememorar o tudo-de-ruim que passou
Fatos memoráveis, acontecimentos extraordinários, acertos, conquistas, nem pensar.
Destoam da pena viciada da maioria dos comunicadores.
Graças a Deus, começo janeiro, transgredindo mofados padrões.
Tenho o dom de apagar a ruindade da memória. De gente e de coisas.
Passando a limpo o tudo-de-bom, que acontece sim senhor. Que se dane o derrotismo.
Falar de dados estatísticos que comprovam a melhoria do Brasil em vários segmentos pode ser um acinte aos críticos de plantão, mas é realidade, graças a Deus.
Quem daria manchete à diminuição da pobreza ou do risco Brasil. À libertação histórica do FMI, à possibilidade da entrada de minorias na Universidade como índios e negros, ao tratamento da AIDS, referência internacional, e tanta coisa importante que podemos contabilizar.
Sem holofotes para mandatários de qualquer trono da federação.
Todavia, com a ressalva: acertos também, merecem ser mencionados.
Particularmente, solto foguetes de passar viva e saudável ao 2006 e lembrar 2005 com carinho.
Momentos difíceis? Claro. Quem não os teve? Não reprisarei os meus, nem sob ternura.
Pra quê lamentar, se escrevi como nunca em minha vida, levando a boa-nova do bem viver.
Estive presente em vários sites literários da Internet, lancei mais um on-line, book, fiz parte de Antologias, assinei minha coluna semanal de crônicas nos dois jornais da minha cidade, interagi com leitores do Brasil e do mundo, viajei...
E como!
Por cidades pequenas, médias e grandes dos estados brasileiros, Orlando, nos Estados Unidos e pra encerrar com chave de ouro, Paris, Japão e China.
Acumulando experiências fantásticas no meu currículo de escritora.
Trabalhei pela cultura, representei minha cidade em nome dela, e curti mais um ano na presidência da SABIA, Sociedade dos Amigos da Biblioteca Pública Municipal.
Partilhei com amigos, fiz novos, rezei preces fervorosas da minha fé intocada, vivi...
Cada dia, intensamente. Rindo ou enxugando a tristeza molhada nos olhos.
Sem descrer um instante que problemas existem, mas podem ser resolvidos. Nos nós cegos, há que se abrir mão da autopiedade e usar toda a reserva de aceitação.
Numa das caminhadas, ano novinho, quando a chuva sem fim permitiu, assisti de camarote, à uma cena montada, decerto, pelos anjos que me ajudam a deslizar a pena da esperança.
Crianças chutavam bola na rua, coisa de quando ainda se brincava a infância.
Bem perto do Orfanato, que ocupa uma área imensa, e se dá ao luxo de ter um belo pomar.
De repente, um dos garotos escala o muro alto, faz a festa apanhando goiabas e as distribui a mancheias aos companheiros.
De tão emocionada, não sei dizer se o primeiro pingão a me cair na roupa foi dos olhos ou da chuva que despencou.
Meninos enfastiados de videogames ainda fazem peladas nas ruas, roubam frutas com gosto de frutas, pra fugir também da sem-graceza tóxica vendida nos supermercados.
Que delícia.
Começo o ano transgredindo modelos negativistas, anotando com gosto este primeiro fato para a retrospectiva de 2007.
O sonho não acabou!
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