domingo, 5 de fevereiro de 2006

RENOVAR


Renovações

Bira Malta

Ás vezes me sinto como se engolido pela rotina, convivendo com três idiomas diferentes: no trabalho,em casa e na escola. Ás vezes me encolho e como um caracol carrego minha bagagem de sentimentos onde quer que vá. Ás vezes fico triste sem saber direito a razão. Sentimentos naturais como a chuva que cai lá fora, uma sutil alegria por estar vivo e por ter outras metas. Nos meus exageros e nas minhas indagações sigo aprendendo com os erros e acertos. Sigo elaborando projetos, teimando em sobreviver no físico e no espiritual. Em todo o bem e todo mau que há no mundo, sigo escrevendo relatos, sigo olhando em frente e compartilhando minha coragem e meus medos mais pueris.
Ás vezes eu sou o outro no que há de mais familiar, no falar diferente, nos processos, nos gestos cotidianos, no olhar amigo, no sorriso sem reservas e na pressa de quem ainda não chegou do trabalho. Ás vezes estou mais longe de mim do que ontem, e noutros momentos, sou eu que vê tudo mais claro e nítido. Eu faço o meu caminho, aniquilo meus fantasmas, acerto as horas e escrevo mais uma linha na poesia que vira crônica, e na crônica que é pura história viva de quem se fez imigrante por vontade própria, sem receio dos riscos, e ainda assim sem saber das surpresas e dificuldades ao longo do caminho. Meu carinho fica guardado nas fotos que registram momentos mais doces, nas cartas , e-mails, telefonemas, saudade derretida como sorvete ao sol. O que nào se perde, mas se transmuta, adquire outras cores e sabores e amadurece em nós.
Ás vezes eu me pareço demais comigo mesmo, por mais engraçado que possa parecer, mas noutros instantes desconheço totalmente o que fui e o que me tornei. No que era açúcar e hoje parece nem doce nem amargo, apenas diferente, como um filtro invisível, como uma rede que não deixa passar os materiais e sentimentos mais pesados. Ainda busco essa alma mais leve. Ainda insisto em não crescer de todo. E ainda encaro a passagem do tempo como algo a mais, não importando tanto com os fios de prata ou as linhas de expressão. Mas ás vezes tudo me parece como sonho, onde a realidade é dura, mas instigante, sempre nos dizendo que devemos crescer e estarmos alertas para a próxima lição; no sutil, no essencial e no que é sempre necessário. Talvez hoje eu não abra o armário de memórias. Mas tente colher flores novas num jardim que acaba de nascer dentro de mim.


- Bira

8 comentários:

  1. Que post mais suave neste mundo conturbado... beijo

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  2. Que lindo texto, e que lindas ilustrações! Adorei!

    Beijão Francy, saudades!

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  3. Precisamos sentir vibrações de energias positivas sempre...essas suas palavras e sentimentos nos estimula acreditar que viver é tudo e muito mais!!!
    Congratulações,
    Aldemir Oliveira.

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  4. O autor é tb de uma suavidade impressionante.
    bs,
    Francy

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  5. O texto é de um amigo que vive na Holanda e quase vizinho.
    A ilustração encontrada na internet para quem quiser pegar e usar, com os devidos créditos.
    bs.
    Francy

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  6. Amigo Aldemir,
    As palavras não são minhas, são de autoria de uma amigo que vive na Holanda e é quase vizinho, pois ele vive em outra cidade perto da nossa... mesmo assim, obrigada.
    Bs,
    Francy

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  7. Francy, faço votos de muitos sucessos ao seu amigo Bira Malta e parabenizo, pelas palavras que são envolventes e nos convidam para uma perfeita reflexão de quem somos e para onde iremos.
    Aldemir Oliveira

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  8. Olá amigo,
    Já vai pela terceira quinta que te esperamos. O Bira Malta é muito bom no que escreve e muito mais.....
    Bs,
    Francy

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