Saudade de Mim
Vilma Duarte
Meio dormindo meio acordada, vou arrancando de mansinho, os fiapos do sonho que sonhei.
Alguém haveria de explicar direito essa outra vida que a gente tem, enquanto apaga da trivial.
Ora de uma clareza instigante, ora de um surrealismo assustador, os sonhos são um enigma.
Sem falar em outros, com olhos bem abertos.
Vira e mexe sinto sair de mim e flanar num limbo que não sei explicar.
Vezes sem conta, sei que a situação vivida é-me extremamente, familiar.
E a necessidade de escrever?
Convivo com uma avalanche de idéias tão grande que necessito exorcizá-las no papel.
Há quem tenha as respostas para tanto. Eu, não.
Ignorante dos intrincados mistérios dessa vida, deixo minha pena rolar.
Engraçado! Nunca fui de me aprofundar em questões existencialistas.
Não daria para filósofa ou coisa e tal.
Há tanta crença fanática em verdades tão esquisitas, baseadas em conceitos personalíssimos de interpretação...
Que respeito e passo ao largo.
Minha fé em Deus e nos homens é inocente e cristalina. A mesma dos tempos de criança.
Nada pôde nem poderá abalar o meu amor imenso pelo Criador e suas criaturas.
Humildemente, afirmo que na simplicidade de crer, encontro esse jeitão feliz de tocar a vida.
Que coisa!
Apesar do vou-lá-volto-cá na prosa intimista, não consigo arrancar os últimos fiapos do tal sonho que sonhei.Tampouco me livrar da ressaca intensa das emoções que senti.
...Eu pegava um trem, sozinha como sempre, e depois de instalada, via montanhas passando correndo, árvores indo atrás aos trancos, a chuva chorando na janela do vagão, e as minhas saudades acenando adeus em braços floridos, cujas espécies, os olhos acordados jamais tinham visto desabrochar em lugar algum.
Era tão nítido, que poderia catalogar uma, a uma, aquelas lembranças de açucarar o coração.
Desperta e lúcida sinto no peito que uma delas, se recusa a voltar para a morada dos sonhos.
Como, Deus meu, uma fantasia noturna vira uma realidade assim?
È muito pra eu lidar com recursos tão amadores e humanos.
Que explicação teria pra sentir tal saudade, se não me aparto de mim?
Quem não gostaria de vez e quando?
Às vezes somos tão pesados para nós mesmos...
Quem sabe é a imagem da criança que quer colo no coração?
Será que ando negligenciando a menina que mora no meu peito ternurando minhas palavras?
É não. Tenho tanto cuidado com a pequenina.
Precisaria pôr um pouco do frescor que deixei na juventude nos pensamentos maduros?
Pode ser. Vivemos tão doutrinados palas pregações desse mundo.
Quero nem pensar que essa saudade é do tempo d’eu feliz com o homem que não esqueço.
Dói demais essa saudade dos idos de tanta alegria. Com poesia.
Decerto, tamanha saudade, que cutuca e machuca é pra eu pensar nesse prêmio, de ainda ter o presente pra viver e desfrutar. Em paz comigo mesma, na sina que Deus me deu.
Na solidão povoada com o que amo fazer, graças a Ele.
Misturar minhas palavras nessas saudades caprichosas.
Juro, não sei entender.
Busco a luz na Poesia!
Que lindo texto amiga !!! Adorei !!!
ResponderExcluirMas sabe que me deixou com saudades de você de verdade ??!! :)) Espero que tudo esteja bem contigo viu?!
Um beijo no seu coração,
Com carinho,
Lila
Olá querida amiga,
ResponderExcluirPassamos quatro meses no Brasil e ficamos entre Recife e alguns outros lugares do Nordeste visitando a família.... retornamos na ultima quinta-feira 15/03, mas a saudade é grande... estamos no frio....é assim....mas tudo está muito bem...
beijinhos para ti também,
Francy
Um belo texto, Francy, mas EU ando com saudades de VOCÊ!
ResponderExcluirAusentei-me um pouco do multiply e só agora estou retomando as minhas costumeiras visitas aos meus contatos, mas estou tão atrasada...
Beijão grandão!
Ada
Olá amiga Ada,
ResponderExcluirEu as vezes dou um sumida...... passamos quatro meses no Brasil, e por acaso estivemos em Joáo Pessoas, mas náo levei a minha agenda, assim náo foi possível entrar em contato contigo.... retornamos á Holanda há quatro dias atrás..... e agora vou tb retornar as minhas mensagens..........
beijinhos para ti,
Francy
Oi Francy, peguei carona nesta viajem... por avenidas e auto-estradas, senti-me como um passageiro a desfrutar de cada detalhe deste sonho entre outros produzidos pela nossa mente e embalado pela imaginação.
ResponderExcluirUm grande abraço e lembranças para o Carlos.
Aldemir Oliveira.