domingo, 28 de maio de 2006

A CLASSE MÉDIA PRECISA REAGIR


A classe média precisa reagir


O direito à vida é tido como o primeiro da
pessoa humana. Ou melhor: era tido. De muito tempo para cá virou letra morta,
tal a desfaçatez com que nossos irmãos criminosos, de todo o tecido social,
ceifam vidas humanas!


Está na Constituição: a segurança pública é dever do Estado e direito e
responsabilidade de todos. Um preceito legal que, mais do que nunca, precisa
ser levado ao pé da letra. Acuada por ver seus filhos serem mortos pela
violência urbana, a sociedade civil se vê obrigada a fazer mais do que apenas
se indignar. Vestir branco e pedir paz já não basta. É preciso agir contra a
violência. E o único caminho para quebrar o ciclo de impunidade e incompetência
do aparelho de segurança é o da mobilização popular. É justamente por estar na
condição de vítima que a sociedade se vê empurrada a brigar por mudanças.



Em todo Brasil são mortas 40 mil pessoas por ano, atualmente!
Nenhum país do mundo é tão ordinário assim. Quarenta mil vítimas fatais da
violência interna; muitos mais padecem conseqüências dessa mesma violência como
cegueira, paralisia, mutilação e traumas de toda espécie. Sabem por quê? Por
causa da corrupção que nos corrói... A corrupção é ainda mais desoladora
porque, na sua ação deletéria, gera calamidades como a impunidade, irmã gêmea
da violência que nos mata todo dia. Comprovadamente a violência é uma filha da
corrupção. É a gota d’água da decadência geral. Ela avulta como fonte dessa
degradação moral covarde que nos agride a todo momento. Algum inocente perguntaria:
há governo com poder judiciário nesse país? A resposta seria há, no papel;
assim como há outros dois poderes, o executivo e outro, o legislativo porém a
manipulação dos três, na prática, tem nada a ver com o que contém o papel. É
que não somos um povo preparado para coisas sérias como austeridade,
obediência, honestidade, respeito, patriotismo, competência, fidelidade e
auto-crítica.



Só mesmo uma pressão brutal da sociedade será capaz de romper o
imobilismo decisório das nossas autoridades e combater a corrupção que
tomou conta das nossas instituições. É necessário dar uma demonstração de
força. Não se trata de agir com violência, mas com decisão. O problema é que em
Pernambuco o maior desafio da violência são os altos índices de homicídios. E a
classe média que tem grande força política e poder real de mobilização, só
costuma se comover quando a criminalidade bate à sua porta. Um comportamento
nocivo para os próprios “cidadãos de bem”. Uma grande burrice, pois não
conseguem perceber que eles, mais cedo ou mais tarde, também serão vítimas
dessa violência. Eles tentam se afastar da ameaça do crime buscando soluções
que resolvam só o seu problema, como contratar seguranças particulares ou
instalar modernos sistemas de vigilância eletrônica e rádio comunicadores
ligados com a polícia nas portarias dos prédios. Está claro que essa
sensação de segurança é ilusória. Não há como se isolar de uma violência que
está nas ruas.
Ninguém
está imune a ela.



Por
isso a classe média, que costuma dar voz às grandes reivindicações sociais
no Estado, precisa fazer o que melhor sabe: pressionar. Diante de uma
média macabra de quase cinco mil homicídios praticados por ano em Pernambuco,
essa é uma luta que já começa tarde.
Porque a violência
continua crescente nos bairros de classe média do Recife. Tudo fruto da
impunidade dos bandidos e da corrupção policial que reina absoluta e a falta de
autoridade e de recursos materiais que acaba desmoralizando o aparelho
policial. Por conta disso, as desordens e ilegalidades diversas nunca foram tão
abusadas e sem limites, na cara de todos inclusive da própria polícia.


Em Boa Viagem, por exemplo, somos obrigados a conviver diariamente com
roubos e frutos no comércio, nas residências e de automóveis (esse último, o
maior índice da RMR); seqüestros relâmpago; a exploração do trabalho
infantil nos faróis de trânsito; prostituição infantil dia e noite pelas
esquinas, inclusive, agora fazendo ponto ao lado da delegacia do bairro,
sem o menor constrangimento; prostíbulos e casas de jogos "legalizados"
funcionando dia e noite, uma prova da desmoralização das instituições por
inaceitável, humilhante e incompetente falta de policiamento profissional em
todo o Bairro.



Ninguém suporta mais ver tanta autoridade ruim desservindo ao povo. De
cima para baixo e de baixo para cima, faz é tempo. Nesse caso específico é tão
obvio, não há policiamento sistemático, a pé e rondas programadas com
viaturas pelos bairros. A polícia basicamente serve só para atender alguns
poucos privilegiados que podem pagar "por fora" e no atendimento
as ocorrências ao invés de trabalhar para evitá-las. Inexiste uma integração de
fato com as comunidades. Sem isso, não vai adiantar ter um
novo modelo de segurança, mais gente entrar para polícia, comprar mais
viaturas, mais uniformes e armamentos. Isso só trará mais despesas para os
contribuintes e os resultados continuarão sendo inócuos. É preciso que
entendam que não se protege nada com a polícia bem armada e equipada apenas
embarcada em viaturas. Não dá para entender porque os policiais não querem
andar a pé e não há quem faça eles fazerem isso. Policiamento Comunitário tem
que ser feito rua a rua, de carro, moto, bicicleta ou a pé,
permanentemente supervisionado pelos seus comandantes, em sintonia direta com
os moradores do local e fora dos Batalhões ou Núcleos. Do jeito que está,
os bandidos continuarão ganhando essa guerra suja e
continuarão assaltando e ceifando a vida das pessoas.



A violência novamente nivelou ricos e pobres. E está forçando realidades
antes inconciliáveis a buscarem uma saída coletiva para um problema que é de
todos. É agora ou nunca!



Adroaldo Figueiredo, Boa
Viagem



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O artigo 13
- Liberdade de pensamento e de expressão da Constituição Federal, nos
itens 1 a 3 estabelece:




1. Toda pessoa tem
o direito à liberdade de pensamento e de expressão.
Esse direito inclui a liberdade de procurar, receber
e difundir informações
e idéias de qualquer natureza, sem considerações
de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em
forma impressa ou artística, ou por qualquer meio de sua escolha.




2. O exercício do
direito previsto no inciso precedente não pode estar
sujeito à censura prévia, mas a responsabilidades ulteriores,
que devem ser expressamente previstas em lei e que se façam
necessárias.




3.
Não se pode restringir o direito de expressão por vias e meios
indiretos, tais como o abuso de controles oficiais ou particulares de
papel de imprensa, de freqüências radioelétricas ou de equipamentos e
aparelhos usados na difusão de informação, nem por quaisquer outros
meios destinados a obstar a comunicação e a circulação de idéias e
opiniões.










2 comentários:

  1. "Ninguém suporta mais ver tanta autoridade ruim desservindo ao povo"
    Concordo plenamente com vc amiga!
    Fiz Mestrado em Criminologia e constatei horrorizada a falência do nosso Sistema Penal! Eu diria como vc de todas as nossas Instituições Públicas que não atendem ao público, só aos ricos....
    Super beijos para vc,
    Sonia.

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  2. Então amiga, vc tb é do ramo?? algo me dizia que sim...
    Entretanto, a crônica é de Adroaldo Figueiredo, que é Presidente da Associação dos amigos de Boa Viagem....
    bs,
    Francy

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