Entre as incontestes belezas concedidas no pacote do viver, dar-se conta de que a arte conserva os sonhos com suas poções mágicas, é grandioso.
Enquanto muitos arrancam os cabelos por causa dos cálculos complicados desse mundo, o artista o engrandece com suas tintas, poetiza-o em rimas e versos, toca o coração dos sensíveis nas sinfonias inteiras ou inacabadas, modela-o com formas estonteantes, reinventa-o nas mais variadas formas de inspiração, que os seus talentos sabem criar.
No seu imaginário, águas cantam... vento traz recado... estrelas piscam alcoviteiras... chuva chora lamentos ocultos... orvalho beija molhado as manhãs...primavera sobe árvores...lua acende noite e devaneios...
Ninguém precisa assinar obras de vulto para sentir a poesia no universo e nos seus seres surpreendentes. A sensibilidade faz a diferença - olhar e perceber - a magnitude do espetáculo diário da vida.
O sol me chama para despedir-se todo dia, como se precisasse do meu êxtase antes de ir brilhar em outras plagas.
Nesse tempo de outono, o preguiçoso se vai mais cedo, e ontem, antes de deitar-se mansamente, no seu berço do horizonte, deixou um rastro dourado desenhando uma estrada luminosa, que me acelerou os passos no caminho da poesia.
Como não parar o curso da vida um instante, chegar à janela e bater palmas para a performance sempre inédita do astro-rei, enternecer com a chuva escorregando na vidraça, velar o repouso da cidade sonolenta, imaginar sonhos de quem ainda sabe sonhar...
A poesia é companheira maravilhosa. Chega suave, com o recado da emoção, clareando pensamentos, matizando visões, suavizando as falas do roteiro de viver.
Não cobra contas pessoais nem dos outros.
O sensível, em constante estado de poesia, não tem tempo de ser infeliz.
Sabe-se imune de sentimentos negativos que maculam rimas felizes de ontens, hojes e amanhãs.
Mas chora. E quanto!
Despeja suas fontes de deslumbro olhos abaixo por motivos pequeninos para muitos, e monumentais nas suas contas de contador do esparrame de belo.
Estremece com a poesia da alma do pintor que a tinge na tela, sente calafrios de prazer ouvindo notas poéticas do músico iluminado, poetiza o sorriso inocente dos descontaminados da ira, sente que a flor desabrocha-se em rimas e versos de ternura.
Reconhece valores e dons.
Soluçando de amor sorve versos de grandes poetas ...
e faz de conta com os seus, simplinhos, assim:
Outono de ouro, alegria Dourada boca do sol Rindo Poesia.
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"O sensível, em constante estado de poesia, não tem tempo de ser infeliz.
ResponderExcluirSabe-se imune de sentimentos negativos que maculam rimas felizes de ontens, hojes e amanhãs.
Mas chora. E quanto!"
Quanta sensibilidade nos versos de Vilma....Ela fala ao coração....Adorei demais!!!!!!!
Beijos para vc querida amiga,
Sonia.
A Vilma é uma poetisa muito sensível e adoro-a. Sempre estou publicando coisas dela, embora ela tenha home page e muitas outras formas de publicação. É fantástica.
ResponderExcluirVisite o nosso blog: http://www.cenasdocotidiano.net
Beijinhos amiga e bom fim de semana.
Francy