Prêmio Nobel da Medicina -
Rita Levi Montalcini.
Determinação e persistência levaram-na ao sucesso!
Rita Levi Montalcini.
Determinação e persistência levaram-na ao sucesso!
Rita Levi Montalcini
Dra. Rita Levi, que tem 96 anos recebeu o Prêmio
Nobel de Medicina há 19 anos, quando tinha 77 !!!
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Rita Levi Montalcini, nasceu em Turín,
Itália, em 1909, e obteve o título de
Medicina na especialidade de Neurocirurgia.
Eis uma entrevista com a médica:
- Como vai celebrar seus 100 anos?
- Ah, não sei se viverei até lá, e, além disso, não gosto de celebrações.
No que eu estou interessada e gosto é no que faço a cada dia.!
- E o que você faz?
- Trabalho para dar uma bolsa de estudos às meninas africanas para que estudem e
prosperem... elas e seus países.
E continuo investigando, continuo pensando.
- Não vai se aposentar?
- Jamais! Aposentar-se é destruir cérebros! Muita gente se aposenta e se abandona...
E isso mata seu cérebro. E adoece.
- E como está seu cérebro?
- Igual quando tinha 20 anos!
Não noto diferença em ilusões nem em capacidade. Amanhã vôo para um congresso médico.
- Mas terá algum limite genético ?
- Não. Meu cérebro vai ter um século, mas não conhece a senilidade.
O corpo se enruga, não posso evitar, mas não o cérebro!
- Como você faz isso?
- Possuímos grande plasticidade neural: ainda quando morrem neurônios, os que restam
se reorganizam para manter as mesmas funções, mas para isso é conveniente estimulá-los!
- Ajude-me a fazê-lo.
- Mantenha seu cérebro com ilusões, ativo, faca-o trabalhar e ele nunca se degenerará.
- E viverei mais anos?
- Viverá melhor os anos que viver, é isso o interessante. A chave é manter
curiosidades, empenho, ter paixões....
- A sua foi a investigação científica...
- Sim, e segue sendo.
- Descobriu como crescem e se renovam as células do sistema nervoso...
- Sim, em 1942: dei o nome de Nerve Growth Factor (NGF, fator do crescimento nervoso),
e durante quase meio século houve dúvidas até que foi reconhecida sua validade e,
em 1986, me deram o prêmio por isso.
- Como foi que uma garota italiana dos anos vinte converteu-se em neurocientista?
- Desde menina tive o empenho de estudar. Meu pai queria me casar bem, que fosse uma boa
esposa, boa mãe... E eu não quis. Fui firme e confessei que queria estudar.
- Seu pai ficou magoado?
- Sim, mas eu não tive uma infância feliz: sentia-me feia, tonta e pouca coisa...
Meus irmãos maiores eram muito brilhantes e eu me sentia tão inferior...
- Vejo que isso foi um estímulo...
- Meu estímulo foi também o exemplo do médico Albert Schweitzer, que estava na África
para ajudar a curar a lepra. Desejava ajudar aos que sofrem, esse é meu grande sonho.
- E você o tem realizado... com a sua ciência.
- E, hoje, ajudando as meninas da África para que estudem. Lutamos contra a enfermidade,
a opressão à mulher nos países islâmicos, por exemplo, além de outras coisas...
- A religião freia o desenvolvimento cognitivo?
- A religião marginaliza muitas vezes a mulher perante o homem, afastando-a do
desenvolvimento cognitivo, mas algumas religiões estão tentando corrigir essa posição.
- Existem diferenças entre os cérebros do homem e da mulher?
- Só nas funções cerebrais relacionadas com as emoções, vinculadas ao sistema endócrino.
Mas, quanto às funções cognitivas, não há diferença alguma.
- Por que ainda existem poucas cientistas?
- Não é assim! Muitos descobrimentos científicos atribuídos a homens, realmente
foram feitos por suas irmãs, esposas e filhas.
- É verdade?
- A inteligência feminina não era admitida e era deixada na sombra. Hoje,
Nobel de Medicina há 19 anos, quando tinha 77 !!!
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Rita Levi Montalcini, nasceu em Turín,
Itália, em 1909, e obteve o título de
Medicina na especialidade de Neurocirurgia.
Eis uma entrevista com a médica:
- Como vai celebrar seus 100 anos?
- Ah, não sei se viverei até lá, e, além disso, não gosto de celebrações.
No que eu estou interessada e gosto é no que faço a cada dia.!
- E o que você faz?
- Trabalho para dar uma bolsa de estudos às meninas africanas para que estudem e
prosperem... elas e seus países.
E continuo investigando, continuo pensando.
- Não vai se aposentar?
- Jamais! Aposentar-se é destruir cérebros! Muita gente se aposenta e se abandona...
E isso mata seu cérebro. E adoece.
- E como está seu cérebro?
- Igual quando tinha 20 anos!
Não noto diferença em ilusões nem em capacidade. Amanhã vôo para um congresso médico.
- Mas terá algum limite genético ?
- Não. Meu cérebro vai ter um século, mas não conhece a senilidade.
O corpo se enruga, não posso evitar, mas não o cérebro!
- Como você faz isso?
- Possuímos grande plasticidade neural: ainda quando morrem neurônios, os que restam
se reorganizam para manter as mesmas funções, mas para isso é conveniente estimulá-los!
- Ajude-me a fazê-lo.
- Mantenha seu cérebro com ilusões, ativo, faca-o trabalhar e ele nunca se degenerará.
- E viverei mais anos?
- Viverá melhor os anos que viver, é isso o interessante. A chave é manter
curiosidades, empenho, ter paixões....
- A sua foi a investigação científica...
- Sim, e segue sendo.
- Descobriu como crescem e se renovam as células do sistema nervoso...
- Sim, em 1942: dei o nome de Nerve Growth Factor (NGF, fator do crescimento nervoso),
e durante quase meio século houve dúvidas até que foi reconhecida sua validade e,
em 1986, me deram o prêmio por isso.
- Como foi que uma garota italiana dos anos vinte converteu-se em neurocientista?
- Desde menina tive o empenho de estudar. Meu pai queria me casar bem, que fosse uma boa
esposa, boa mãe... E eu não quis. Fui firme e confessei que queria estudar.
- Seu pai ficou magoado?
- Sim, mas eu não tive uma infância feliz: sentia-me feia, tonta e pouca coisa...
Meus irmãos maiores eram muito brilhantes e eu me sentia tão inferior...
- Vejo que isso foi um estímulo...
- Meu estímulo foi também o exemplo do médico Albert Schweitzer, que estava na África
para ajudar a curar a lepra. Desejava ajudar aos que sofrem, esse é meu grande sonho.
- E você o tem realizado... com a sua ciência.
- E, hoje, ajudando as meninas da África para que estudem. Lutamos contra a enfermidade,
a opressão à mulher nos países islâmicos, por exemplo, além de outras coisas...
- A religião freia o desenvolvimento cognitivo?
- A religião marginaliza muitas vezes a mulher perante o homem, afastando-a do
desenvolvimento cognitivo, mas algumas religiões estão tentando corrigir essa posição.
- Existem diferenças entre os cérebros do homem e da mulher?
- Só nas funções cerebrais relacionadas com as emoções, vinculadas ao sistema endócrino.
Mas, quanto às funções cognitivas, não há diferença alguma.
- Por que ainda existem poucas cientistas?
- Não é assim! Muitos descobrimentos científicos atribuídos a homens, realmente
foram feitos por suas irmãs, esposas e filhas.
- É verdade?
- A inteligência feminina não era admitida e era deixada na sombra. Hoje,
felizmente, há mais mulheres que homens na investigação científica: as
herdeiras de Hipatia!
- A sábia Alexandrina do século IV...
- Já não vamos acabar assassinadas nas ruas pelos monges cristãos misóginos, como ela.
Claro, o mundo tem melhorado algo...
- Ninguém tem tentado assassinar você...
- Durante o fascismo, Mussolini quis imitar Hitler na perseguição dos judeus.
E tive que me ocultar por um tempo. Mas não deixei de investigar: tinha meu
laboratório em meu quarto...
E descobri a apoptose, que é a morte programada das células!
- Por que existe uma alta porcentagem de judeus entre cientistas e intelectuais?
- A exclusão estimula entre os judeus os trabalhos intelectivos e intelectuais:
- A sábia Alexandrina do século IV...
- Já não vamos acabar assassinadas nas ruas pelos monges cristãos misóginos, como ela.
Claro, o mundo tem melhorado algo...
- Ninguém tem tentado assassinar você...
- Durante o fascismo, Mussolini quis imitar Hitler na perseguição dos judeus.
E tive que me ocultar por um tempo. Mas não deixei de investigar: tinha meu
laboratório em meu quarto...
E descobri a apoptose, que é a morte programada das células!
- Por que existe uma alta porcentagem de judeus entre cientistas e intelectuais?
- A exclusão estimula entre os judeus os trabalhos intelectivos e intelectuais:
podem proibir tudo, mas não que pensem! E é verdade que há muitos judeus
entre os prêmios Nobel...
- Como você explica a loucura nazista?
- Hitler e Mussolini souberam como falar ao povo, onde sempre prevalece o cérebro emocional
por cima do neocortical, o intelectual. Conduziram emoções, não razões!
- Isto está acontecendo agora?
- Por que você acha que em muitas escolas nos Estados Unidos é ensinado
o creacionismo e não o evolucionismo?
- A ideologia é emoção, é sem razão?
- A razão é filha da imperfeição. Nos invertebrados tudo está programado:
- Como você explica a loucura nazista?
- Hitler e Mussolini souberam como falar ao povo, onde sempre prevalece o cérebro emocional
por cima do neocortical, o intelectual. Conduziram emoções, não razões!
- Isto está acontecendo agora?
- Por que você acha que em muitas escolas nos Estados Unidos é ensinado
o creacionismo e não o evolucionismo?
- A ideologia é emoção, é sem razão?
- A razão é filha da imperfeição. Nos invertebrados tudo está programado:
são perfeitos. Nós, não. E, ao sermos imperfeitos, temos recorrido à razão,
aos valores éticos: discernir entre o bem e o mal é o mais alto grau da evolução darwiniana!
- Você nunca se casou ou teve filhos?
- Não. Entrei no campo do sistema nervoso e fiquei tão fascinada pela sua beleza
que decidi dedicar-lhe todo meu tempo, minha vida!
- Lograremos um dia curar o Alzheimer, o Parkinson, a demência senil?
- Curar... O que vamos lograr será frear, atrasar, minimizar todas essas enfermidades.
- Qual é hoje seu grande sonho?
- Que um dia logremos utilizar ao máximo a capacidade cognitiva de nossos
- Você nunca se casou ou teve filhos?
- Não. Entrei no campo do sistema nervoso e fiquei tão fascinada pela sua beleza
que decidi dedicar-lhe todo meu tempo, minha vida!
- Lograremos um dia curar o Alzheimer, o Parkinson, a demência senil?
- Curar... O que vamos lograr será frear, atrasar, minimizar todas essas enfermidades.
- Qual é hoje seu grande sonho?
- Que um dia logremos utilizar ao máximo a capacidade cognitiva de nossos
cérebros.
- Quando deixou de sentir-se feia?
- Ainda estou consciente de minhas limitações!
- O que tem sido o melhor da sua vida?
- Ajudar aos demais.
- O que você faria hoje se tivesse 20 anos?
- Mas eu estou fazendo!!!!
- Quando deixou de sentir-se feia?
- Ainda estou consciente de minhas limitações!
- O que tem sido o melhor da sua vida?
- Ajudar aos demais.
- O que você faria hoje se tivesse 20 anos?
- Mas eu estou fazendo!!!!
Nota: Rita Levi-Montalcini; é desde 2001 senadora vitalícia da
República Italiana, nomeada diretamente pelo presidente Carlo Azeglio Ciampi.
Minha amiga, você voltou em grande estilo que maravilha de matéria estou emocionada.
ResponderExcluirPenso como ela, não parar nunca. O corpo envelhece é inevitável, mas dá para fazer adaptações e continuar cultivando o cérebro este sim é a parte fundamental.
Obrigada por partilhar.
Com todo meu carinho
Beijocas
Camélia Vermelha
Pra você e seus amigos na minha Home Page:
ResponderExcluirVocê é uma estrela
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Delícia de chocolate ao rum
Exemplar, Francy. Muito boa entrevista, obrigada por postar.
ResponderExcluirOi amigos,
ResponderExcluiré sempre bom estar de volta.
Excelente essa entrevista...
bs,
Francy