terça-feira, 27 de maio de 2008

Nao posso evitar as rugas, mas a mente continua sonhando e pesquisando...

Prêmio Nobel da Medicina -
Rita Levi Montalcini.
 
 Determinação e persistência levaram-na ao sucesso!    


Rita Levi Montalcini
 
Dra. Rita Levi, que tem 96 anos recebeu o Prêmio

Nobel de Medicina há 19 anos, quando tinha 77 !!!
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 Rita Levi Montalcini, nasceu em Turín,
 Itália, em 1909, e obteve o título de
 Medicina na especialidade de Neurocirurgia.
 

  Eis uma entrevista com a médica:

- Como vai celebrar seus 100 anos?

 - Ah, não sei se viverei até lá, e, além disso, não gosto de celebrações.
 No que eu estou interessada e gosto é no que faço a cada dia.!

 - E  o que você faz? 

 - Trabalho para dar uma bolsa de estudos às meninas africanas para que estudem e
 prosperem... elas e seus países. 
 E continuo investigando, continuo pensando.

 - Não vai se aposentar? 

 - Jamais! Aposentar-se é destruir cérebros!  Muita gente se aposenta e se abandona...
 E isso mata seu cérebro. E adoece.

 - E como está seu cérebro? 

 - Igual quando tinha 20 anos! 
 Não noto diferença em ilusões nem  em capacidade.  Amanhã vôo para um congresso médico.

 - Mas  terá algum limite genético ?

 - Não. Meu cérebro vai ter um século, mas não conhece a senilidade.
 O corpo se enruga, não posso evitar, mas não o cérebro! 

 - Como você faz isso? 

 - Possuímos grande plasticidade neural:  ainda quando morrem neurônios, os que restam
  se reorganizam para manter as mesmas funções, mas para isso é conveniente estimulá-los!

 - Ajude-me a fazê-lo. 

 - Mantenha seu cérebro com ilusões, ativo, faca-o  trabalhar e ele nunca se degenerará. 

 - E viverei mais anos? 

 - Viverá melhor os anos que viver, é isso o interessante.  A chave é manter
 curiosidades, empenho, ter paixões....

 - A sua foi a investigação científica...
 
 - Sim, e segue sendo. 

 - Descobriu como crescem e se renovam as células do sistema nervoso... 

 - Sim, em 1942:  dei o nome de Nerve Growth Factor (NGF, fator do crescimento nervoso),
  e durante quase meio século houve dúvidas até que foi reconhecida sua validade e,
  em 1986, me deram o prêmio por isso.

 - Como foi que uma garota italiana dos anos vinte converteu-se em neurocientista? 

 - Desde menina tive o empenho de estudar. Meu pai queria me casar bem, que fosse uma boa
 esposa, boa mãe... E eu não quis. Fui firme e confessei que queria estudar.

 - Seu pai ficou magoado? 

 - Sim, mas eu não tive uma infância feliz: sentia-me feia, tonta e pouca coisa... 
 Meus irmãos maiores eram muito brilhantes e eu me sentia tão inferior...
 
 - Vejo que isso foi um estímulo...

 - Meu estímulo foi também o exemplo do médico Albert Schweitzer, que estava na África
 para ajudar a curar a lepra. Desejava ajudar aos que sofrem, esse é meu grande sonho.

 - E você o tem realizado... com a sua ciência.

 - E, hoje, ajudando as meninas da África para que estudem. Lutamos contra a enfermidade,
 a opressão à mulher nos países islâmicos, por exemplo, além de outras coisas...

 - A religião freia o desenvolvimento cognitivo?

 - A religião marginaliza muitas vezes a mulher perante o homem, afastando-a do
 desenvolvimento cognitivo, mas algumas religiões estão tentando corrigir essa posição.

 - Existem diferenças entre os cérebros do homem e da mulher?

 - Só nas funções cerebrais relacionadas com as emoções, vinculadas ao sistema endócrino. 
 Mas, quanto às funções cognitivas, não há diferença alguma.

 - Por que ainda existem poucas cientistas? 

 - Não é assim!  Muitos descobrimentos científicos atribuídos a homens, realmente
 foram feitos por suas irmãs, esposas e filhas.
 
 - É verdade?

 - A inteligência feminina não era admitida e era deixada na sombra. Hoje,
felizmente,   há mais mulheres que homens na investigação científica: as
herdeiras de Hipatia!

 - A sábia Alexandrina do século IV...

 - Já não vamos acabar assassinadas nas ruas pelos monges cristãos misóginos, como ela. 
 Claro, o mundo tem melhorado algo... 

 - Ninguém tem tentado assassinar  você... 

 - Durante o fascismo, Mussolini quis imitar Hitler na perseguição dos judeus.
 E tive que me ocultar por um tempo. Mas não deixei de investigar: tinha meu
 laboratório em meu quarto...
 E descobri a apoptose, que é a morte programada das células!

- Por que existe uma alta porcentagem de judeus entre cientistas  e intelectuais? 

 - A exclusão estimula entre os judeus os trabalhos intelectivos e intelectuais:
podem proibir tudo, mas não que pensem!  E é verdade que há muitos judeus
entre os prêmios Nobel...

 - Como você explica a loucura nazista? 

 - Hitler e Mussolini souberam como falar ao povo, onde sempre prevalece o cérebro emocional
 por cima do neocortical, o intelectual.  Conduziram emoções, não razões!

- Isto está acontecendo agora? 

 - Por que você acha que em muitas escolas nos Estados Unidos é ensinado
 o creacionismo e não o evolucionismo?
 
 - A ideologia é emoção, é sem razão? 

 - A razão é filha da imperfeição. Nos invertebrados tudo está programado:
são perfeitos. Nós, não.  E, ao sermos imperfeitos, temos recorrido à razão,
aos valores éticos: discernir entre o bem e o mal é o mais alto grau da evolução darwiniana!

- Você nunca se casou ou teve filhos? 

 - Não.  Entrei no campo do sistema nervoso e fiquei tão fascinada pela sua beleza
 que decidi dedicar-lhe  todo meu tempo, minha vida! 

 - Lograremos um dia curar o Alzheimer, o Parkinson, a demência senil?

 - Curar...  O que vamos lograr será frear, atrasar, minimizar todas essas enfermidades. 

 - Qual é hoje seu grande sonho?

 - Que um dia logremos utilizar ao máximo a capacidade cognitiva de nossos
cérebros.
 
 - Quando deixou de sentir-se feia?
 
 - Ainda estou consciente de minhas limitações!

 - O que tem sido o melhor da sua vida?

 - Ajudar aos demais.

 - O que você faria hoje se tivesse 20 anos?

 - Mas  eu estou fazendo!!!!
 
      
Nota: Rita Levi-Montalcini; é desde 2001 senadora vitalícia da
República Italiana, nomeada diretamente pelo presidente Carlo Azeglio Ciampi.
 


4 comentários:

  1. Minha amiga, você voltou em grande estilo que maravilha de matéria estou emocionada.
    Penso como ela, não parar nunca. O corpo envelhece é inevitável, mas dá para fazer adaptações e continuar cultivando o cérebro este sim é a parte fundamental.
    Obrigada por partilhar.
    Com todo meu carinho
    Beijocas
    Camélia Vermelha

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  2. Exemplar, Francy. Muito boa entrevista, obrigada por postar.

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  3. Oi amigos,
    é sempre bom estar de volta.
    Excelente essa entrevista...
    bs,
    Francy

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