| Qual o futuro da beira-mar? | Alerta // Em um período de 10 anos, entre 1985 e 1995, litoral pernambucano perdeu 25 metros de praia para o oceano. Uma média assustadora de 2,5 metros por ano. |
O pernambucano talvez não tenha se dado conta, mas o litoral do estado está encolhendo. Uma mostra da gravidade da situação foi apontada em um estudo recente divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe).
Acima, de baixo para a cima, o mesmo trecho da praia de Boa Viagem. Em 1989, com vegetação e areia, em 1995, após obra no calçadão e, finalmente, em 2008: apenas pedras. |
Uma das razões para essa fragilidade é que a faixa de areia não edificada é ínfima. Para se ter uma idéia, os especialistas em geologia marinha apontam uma margem de segurança entre 50 e 60 metros de faixa de areia. Em Boa Viagem, essa margem não chega a 20 metros e na orla de Jaboatão, em alguns trechos, há menos de cinco metros de areia, ou nenhuma.
Para os especialistas, o destino da beira-mar de Pernambuco depende do que for feito, a partir de agora, para preservar o que resta de praia. "Nosso litoral está se afogando", alerta o professor e pioneiro em geologia marinha no estado Paulo Coutinho. Segundo ele, o litoral Pernambucano tem características próprias que por si já o fragilizam para enfrentar o mar, entre as quais a ausência de dunas, uma plataforma estreita e a presença de muitos estuários.
Além de tudo isso, há ainda a ocupação desordenada e o aumento do nível do mar, que deixam o estado numa situação limite. "O ponto positivo é que temos os recifes que nos protegem, mas eles sozinhos não resolvem tudo. Onde houve ocupação irregular, o mar avançou", explica Coutinho.
Foi em 1994 que Boa Viagem acordou assustada com uma ressaca que destruiu parte do calçadão. A área afetada, na época , com cerca de 1,5 quilômetros de extensão, já se estende a 2,5 quilômetros. O enrocamento de pedras vem conseguindo preservar a área do calçadão, mas nesse trechoa praia não existe mais.
"Na época, o departamento de geologia da UFPE fez um estudo que previa além do enrocamento em pedras, também o engordamento da praia e um quebra-mar, mas somente o enrocamento foi feito até hoje. E já se passaram 14 anos", afirma Coutinho.
Quem conhece hoje o trecho engolido pelo mar, entre a Pracinha de Boa Viagem e o Castelinho, não imagina que no final da década de 80 havia uma grande faixa de areia e até vegetação, mas uma intervenção urbanística acabou por traçar o futuro da orla. "Com o Projeto Cura houve um alargamento do calçadão de Boa Viagem, ocupando a faixa de areia. Na época, já se orientava sobre os riscos ambientais, mas não levaram a sério e a natureza respondeu", revela o geólogo e professor da UFPE Valdir Manso.
Levar em conta o que a ciência diz e a partir daí tomar providências parece simples, e é, mas na prática isso não acontece. "Não se pode brincar com o mar. Uma vez iniciada uma obra ela tem que ir até o final e é exatamente o que nunca é feito. A única exceção nesses últimos 20 anos foi Brasília Teimosa, onde a praia foi recuperada numa intervenção de sucesso", detalha Manso.
Litoral perdido
Isso realmente é preocupante, principalmente para os moradores. Cadê a prefeitura que diz que faz e não faz é nada. Tá na hora da prefeitura colocar em prática o slogan (A grande obra é cuidar das pessoas) que ela brada aos quatro ventos na mídia e resolver esse problema.
ResponderExcluirA Prefeitura da nossa cidade é boa para a turma do PT, ganhar mais nas concorrências fraudulentas e etc e tal.... mas para os moradores da cidade do Recife é nunca foi boa e agora está péssima e com essas obras no calçadão de Boa Viagem, queira Deus que daqui a dez anos possamos andar a pé por ele (calçadão). Quem viver verá....
ResponderExcluirE Luana, como está?????