sexta-feira, 3 de março de 2006

NA TOADA DA POESIA




Na Toada da Poesia









                                 Vilma Duarte



Dispo-me das fantasias coloridas de fevereiro lavando minha pena nas águas abençoadas de Março.



Meus dedos, que antes saltitaram a alegria do mês que se foi, agora deslizam mansamente, no sossego desses dias novos pra se viver.



Com uma vontade poética de arrancar as coisas do estado de inconsciência e dar-lhes vida  com cheiro, cor e emoção.



O que é um pôr-do-sol para quem fecha a beleza de fora das janelas do coração...

Um piano sem as mãos que lhe arrancam as notas adormecidas...

Uma rosa órfã de olhares e toques...



Diante do computador as idéias dão-me os braços e eu as embalo no aconchego da poesia.



Por incrível que pareça, certas alegrias só podem ser gozadas inteiramente, com a cumplicidade da solidão.

O momento da criação é único e egoísta.



O quarto, possuído pela noite, entrega-se aos encantos da lua.

Da janela vejo as casas dormindo preguiçosas, ninadas pelos sonhos de quem descansa o corpo das labutas do dia.

Quisera copiar cada um desses devaneios noturnos, e passá-los a limpo com as minhas mãos ungidas pelas águas de Março.



Quem me dera!

Os pensamentos dos outros como seus rostos, suas bocas, suas palavras, são inteiramente, diversos de mim.



Como poderia...

Os acessos constantes de lucidez podem desmanchar as teias frágeis dos sonhos.

Encantadores sonhos...

Tesouros secretos dos bens preciosos da individualidade.



Que ternura me invade pelos homens que dormem nas casas preguiçosas cobertas com o manto rendado das estrelas.



Valeria a pena sonhar com um amor que não se quer viver?

Ou com castelos que o cotidiano sacode e transforma em realidade cruel?

Como acordar e sentir-se pleno se existe Paris...Nápoles...Santorini...e tanto Brasil a conhecer.



Fantasias! Há de tudo pra sonhar.

Já é uma ventura e tanto ter o sono pra dormir, sonhos pra sonhar e outro dia pra viver.



Não estou só nos meus cismares noturnos.

Enquanto liberto minhas palavras, que nascem boiando nas águas de Março, ouço a música suave que sobe andares até entrar no meu quarto como se fora o nascimento sonoro de uma deliciosa esperança.



Tomo-a e a ofereço em prece para que todos sejam felizes acordados, naquelas casas preguiçosas, depois que o sol se esgueirar nas frestas das janelas, anunciando outro amanhã.



Danço meus momentos nos passos da alegria de viver.

Liberdade é muito mais do que arriscar tudo nas cartas marcadas do jogo da vida.



Livre e solta, peço-lhes as mãos para entrelaçar com Poesia!

         
  

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2 comentários:

  1. belíssima (e não vejo novela) poesia.
    Muito obrigado.
    Manoel

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  2. Olá amigo,
    Vilma tem lindas poesias e contas...
    Dá uma olhadinha nas páginas onde ela aparece...
    bs,
    Francy

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