sábado, 5 de agosto de 2006

Nesses tempos de eleições....Antonio Ermirio de Moraes.


Veja o que pensa Antônio Ermírio de Moraes
04 de agosto de 2006
Nestes tempos de eleições, o Brasil é pintado de rosa pela situação e de preto pela oposição. Isso é próprio de qualquer campanha eleitoral.

No meio do tiroteio, o povo fica perdido, recebendo informações manipuladas, todas aparentando verdades. Nesse ambiente, há pouco espaço para análises objetivas.

Por isso, antes que comece o massacre das mensagens no rádio e na televisão, alinho alguns dados objetivos que, no meu entender, registram os principais problemas do Brasil de hoje.

     1. No período de 1996 a 2005, a economia mundial cresceu 3,8% ao ano; o Brasil cresceu  2,2%

     2. Nesse ritmo, o mundo dobrará a renda per capita em 30 anos; o Brasil levará cem anos.

     3. Entre 1995 e 2004, os países emergentes investiram cerca de 30% do PIB em atividades  produtivas; o Brasil investiu 19%.

     4. O investimento público, que estava em 4% do PIB em 1970 - já irrisório! - caiu para 0,5% em 2005.

     5. Nesse período, a carga tributária quase dobrou, chegando perto  de 40% do PIB.

     6. Para crescer 3,5% ao ano, os investimentos em energia elétrica, petróleo, gás, telecomunicações e transporte teriam de ser de, no mínimo, US$ 27 bilhões por ano, enquanto, na realidade, não passam de US$ 14 bilhões.

     7. Dentre os 127 países estudados pelo "Program for International  Student Assessement" (Pisa), o desempenho dos alunos brasileiros está em último lugar em matemática e penúltimo em  ciências.

     8. Em pleno século 21, temos 16 milhões de analfabetos e, entre  os que sabem ler, mais de 50% não entendem o que lêem.

Vários  desses  dados  fazem  parte  de  um  artigo  publicado na "Revista Indústria  Brasileira"  em  abril  de  2006, cujo título já diz tudo:  "Sem crescer, não há saída".

O  mínimo  que  se  espera  é  que os candidatos ataquem essas questões de frente,  dizendo claramente o que farão para inverter o quadro atual. Isso faz parte da educação dos cidadãos e da construção da democracia.

       Há  tempos,  Roger  Douglas,  ex-Ministro  da  Fazenda  da  Nova Zelândia, contou-me  que,  no seu país, toda vez que um candidato diz na televisão o que vai fazer sem dizer o "como", o seu adversário, no dia seguinte, ocupa o  seu  espaço  na  mesma televisão, para desmascarar as promessas vazias.

Desde  que  esse  sistema  foi  implantado,  narrou  Douglas,  a demagogia diminuiu bastante e o povo votou mais consciente.

Os  problemas  estão aí. Cabe aos candidatos dizer "como" resolvê-los. Não seria uma boa idéia para praticar no Brasil?

(ANTÔNIO ERMÍRIO DE MORAES), Presidente da Votorantim...

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