sábado, 29 de outubro de 2005

BANCO CENTRAL - O SUPERCOMPUTADOR...

Apelidado de Hal, o cérebro eletrônico mais poderoso de Brasília
fiscalizará as contas bancárias de todos os brasileiros.
Desde a manhã da segunda-feira, trabalha sem cessar no quinto subsolo
do Banco Central um Supercomputador instalado especialmente para
reunir, atualizar e fiscalizar todas as contas bancárias das 182
instituições financeiras instaladas no País. Seu nome oficial é Cadastro de
Clientes do Sistema Financeiro Nacional CCS na sigla abreviada. Mas a
supermáquina já nasceu com o apelido de Hal, homenagem ao mais famoso
cérebro eletrônico da ficção, imortalizado no filme "2001: Uma  Odisséia no
Espaço". A primeira carga de informações que o computador recebeu durou
quatro dias. Ao final do processo, ele havia criado nada menos que 150
milhões de diferentes pastas (uma para cada correntista do País),
interligadas por CPFs e CNPJs aos nomes dos titulares e de seus
procuradores. A cada dia, Hal acrescentará a seus arquivos cerca de um
milhão de novos registros, em informações providas pelo sistema bancário. A
partir desta semana, quando o sistema se estabilizar, o CCS deverá responder
a cerca de 3 mil consultas diárias. Toda conta que for aberta, fechada,
movimentada ou abandonada, em qualquer banco do País, estará armazenada ali,
com origem, destino e nome do proprietário.  São três servidores e cinco
CPUs de diversas marcas trabalhando simultaneamente, no que se costuma
chamar de cluster. Este conjunto é o novo coração de um grande sistema de
processamento que ocupa um andar inteiro do edifício-sede do Banco Central.
Seu poderio não vem da capacidade bruta de processamento, mas do software
que o equipa. Desenvolvida pelo próprio BC, a inteligência artificial do Hal
consumiu a maior parte dos quase R$ 20 milhões destinados ao projeto -
gastos principalmente com a compra de equipamentos e o pagamento da
mão-de-obra especializada. Só há dois sistemas parecidos no planeta. Um na
Alemanha, outro na França. Mas ambos são inferiores ao brasileiro. No
alemão, por exemplo, a defasagem entre a abertura de uma conta bancária e
seu  registro no computador é de dois meses. Aqui, o prazo é de dois dias.
Não por acaso, para chegar perto do Hal, é preciso passar por três portas
blindadas, com código de acesso especial. Visto em perspectiva, o sistema é
o complemento cronológico do Sistema Brasileiro de Pagamentos (SBP), que,
nos anos de Armínio Fraga à frente do BC, uniformizou as relações entre os
bancos, as pessoas, empresas e o governo. Com o Hal, o Banco Central ganha
uma ferramenta tecnológica a altura de um sistema financeiro altamente
informatizado e moderno. "Recuperamos o tempo perdido", diz o diretor de
Administração do BC, João Antônio Fleury. O supercomputador promete, também,
ser uma ferramenta decisiva no combate a fraudes, caixa dois e lavagem de
dinheiro no Brasil. "Vamos abrir senhas para que os juízes possam acessar
diretamente o computador", informa Fleury. O banco de dados do Hal remete
aos movimentos dos últimos cinco anos. Antes de sua chegada, quando a
Justiça solicitava uma quebra de sigilo bancário, o Banco Central era
obrigado a encaminhar ofício a 182 bancos, solicitando informações sobre um
CPF ou CNPJ. Multiplique-se isso por três mil pedidos diários. São 546 mil
pedidos de informações à espera de meio milhão de respostas. Em determinados
casos, o pedido de quebra de sigilo chegava ao BC com um mimo: "Cumpra-se em
24 horas, sob pena de prisão". A partir da estréia do Hall, com um simples
clique, COAF, Ministério Público, Polícia Federal e qualquer juiz têm acesso
a todas as contas que um cidadão ou uma empresa mantêm no Brasil. R$ 20
milhões foi o orçamento da criação do cadastro de clientes do sistema
financeiro. Sob controle 182 bancos, 150 milhões de contas, 1 milhão de
dados bancários por dia.

Por Marco Damiani e Gustavo Gantois.

2 comentários:

  1. Triste realidade !
    Como ninguém teve coragem de fazer um comentário aqui estou eu, não que seja muito corajoso...
    No entanto depois de ler o artigo em questão acho muito possível e plausível o que aqui se lê, portanto não vejo inconveniente algum em fazer um comentário.
    Vejo muita coisa acontecer, as pessoas cada vez estão mais descrentes, ficam impávidos e serenos vendo todos os atropelos que se fazem, simplesmente tentando ignorar a realidade, escudando-se no anonimato.
    Triste realidade a que chegamos.........................

    ResponderExcluir
  2. Que triste país é o nosso...
    Só inventam coisas para prejudicar os menores....
    Deus tenha piedade de nós!!!!!!!!!!
    bs,

    ResponderExcluir