sábado, 5 de novembro de 2005

ANSEIOS

 
Anseios



Meu doido coração aonde vais,

No teu imenso anseio de liberdade?

Toma cautela com a realidade;

Meu pobre coração olha que cais!


Deixa-te estar quietinho! Não amais

A doce quietação da soledade?

Tuas lindas quimeras irreais,

Não valem o prazer de uma saudade!


Tu chamas ao meu seio, negra prisão!...

Ai, vê lá bem, ó doido coração,

Não te deslumbre o brilho do luar!


Não 'tendas tuas asas para o longe...

Deixa-te estar quietinho, triste monge,

Na paz da tua cela, a soluçar!...


                                     Florbela Spanca

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