sexta-feira, 4 de novembro de 2005

SONETOS DA VERDADE



Primavera

Quisera amar-te só por tuas
flores
sem pensamento nos futuros pomos,
mas a realidade vil que
somos
não se contenta apenas com amores.

Quisera receber-te como
noiva,
a sempre verde deusa de esmeralda,
mas a época atual é um
goiva
que decepa, ao nascer, toda grinalda.

Muito embora o benigno
nosso inverno
pouco nos roube o verde da folhagem,
o viço do que brota é
sempre terno.

Mas nos trópicos punge uma
surpresa:
a nossa primavera é uma imagem
mais da cultura que da
natureza.


Poeta Miguel Reale, "Sonetos da Verdade"


***




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