domingo, 10 de setembro de 2006

Jornalismo sob a luz da ética.



Jornalismo sob a luz da
ética


Segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda,
"ética é o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana
susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja
relativamente à determinada sociedade, seja de modo
absoluto”.


Não é uma verdade absoluta, mas
deveria: fazer jornalismo é uma forma de agir a serviço da cidadania, com
consciência política, econômica e social, fazendo da ética e da justiça os
holofotes do nosso caminho na profissão. Idealismo? Sem dúvida. Mas porque
desistir? Porque não lutar por um ideal?


A liberdade de imprensa é um dos pressupostos do
Estado Democrático de Direito. A imprensa é a atividade livre de difusão de
conhecimento, de cultura, de entretenimento e, sobretudo, de informação. A sua
natureza pressupõe uma atividade livre, justamente para a realização de seu
ideal maior, que consubstancia-se no veículo de (in)formação estrutural de uma
sociedade. A imprensa, inclusive, testemunha historicamente o processo político,
os fluxos e influxos sociais, e a própria edificação do tecido social. A
imprensa, portanto, testemunha, registra, e se torna depositária de todo o
arcabouço social. E não é possível pensar em todos esses atributos sem a sua
necessária liberdade de atuação.


Observe-se, porém, que não é apenas
esse o papel que se espera do jornalista. Não se espera, portanto, que ele tenha
apenas um caráter contemplativo, de registro, enfim, um papel passivo e
imparcial ante aos fatos, como se poderia imaginar. Os próprios destinatários da
informação, não raro, desejam um papel ativo, investigativo, crítico, persuasivo
dela, e desejam uma imprensa que lhes dê voz ativa ante ao poder constituído na
realização do ideal de estado democrático de direito.


O desejado papel persuasivo, a
independência, a imparcialidade e o próprio caráter (investig)ativo da imprensa
lhe adjetivou o status vulgar de "quarto poder". É claro que o adjetivo é
inadequado — pois pela sua desejável independência e liberdade de
opinião/expressão, jamais poderia ser entendida como tal (como "poder") —, mas,
no mundo contemporâneo, especialmente pela atual velocidade de circulação das
informações, sua capacidade de formar a materialização/aceitação dos fatos, bem
como a sua penetração e formação de opinião junto à sociedade, lhe dá
características de poder, influência e, não raro, de algum abuso no exercício de
suas prerrogativas.


No Brasil, depois de superarmos o regime militar, a cidadania voltou a
ser um conceito que tem atualidade, e que hoje se baseia na luta contra a
exclusão social. Dela nasce a
expressão “responsabilidade
social” que depois evolui para “utilidade social”. Ou seja, mais do que assumir
as conseqüências de seus atos profissionais (responsabilidade), os jornalistas
devem servir aos interesses dos cidadãos e responder às preocupações dos
leitores ou da audiência referentes a emprego, habitação, educação, segurança,
qualidade de vida, etc. Esse seria o “jornalismo cidadão”. A imprensa assume aí
o papel de mediadora e de interventora na sociedade.


A ética no jornalismo tem que haver dimensões que
vão além do conceito de ser “correto”, “justo” ou “imparcial”. Ser ético também
é ser útil. Infelizmente, a
ética no jornalismo brasileiro é daquelas
coisas que todo mundo sabe o que são, mas que não são fáceis de explicar, quando
alguém pergunta. Mas ética é
algo que todos precisam ter. Alguns até dizem que têm. Poucos levam a sério. Mas
de fato, ninguém do ramo cumpre à risca.

Ser um profissional ético, na prática, significa lutar para reduzir ao
máximo nossos deslizes de caráter. Somos humanos, erramos, e o primeiro passo
para pisar na bola é se deixar levar pela emoção. Ética diz respeito à conduta,
ao caráter. Ou seja, prezar pelo comportamento ético significa orgulhar as boas
mães. Ser antiético é ser mau caráter.


Ética vem do grego "ethos" e tem seu correlato no
latim "morale", com o mesmo significado: relativo aos costumes. Etimologicamente
ética e moral são
sinônimos.


Adroaldo Figueiredo, jornalista e
publicitário
adrofig@ig.com.br



3 comentários:

  1. Para mim Francy, isto não se aplica só ao Jornalismo como a todas as profissões.
    Obrigado pelo texto, gosto de ler o que aqui pôes.
    Beijinhos
    Margarida

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  2. Tambem acho que deve se aplicar a todas as profissoes...e outra coisa Francy, um jornalista , quase sempre , e um empregado que obdece ordens..cilene

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  3. Pois é amigas Margarida e Cilene,
    O Adroaldo tem texto maravilhosos e já os publiquei antes...
    obrigada e beijinhos,

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