Liberdade intelectual
São poucos brasileiros que entendem realmente o que lêem. Não passam de
25% segundo pesquisa recente do IBOPE. Isso ocorre pela dificuldade de
algumas pessoas em conseguir identificar os fatos de um texto e a
seqüência em que eles ocorrem, entender palavras em sentido figurado.
Inclusive, entender a idéia central de textos mais complexos e saber descrever
os personagens e o lugar em que acontecem determinados fatos. Saber identificar
o uso apropriado da língua em diferentes situações e reconhecer a retomada de
idéias por meio de palavras diferentes. Muito mais ainda, identificar quando
uma frase tem sentido oposto a outra e interpretar pronomes oblíquos. Saber
trocar palavras por outras com o mesmo significado usando o dicionário e
entender a idéia central e a informação que é dada de forma indireta em textos
mais curtos, interpretar a intenção do autor, mesmo nos tipos mais simples de
textos. Vale dizer que a maioria da população mantém-se nos limites de uma
deficiência instrumental que torna sombrio o prognóstico quanto ao futuro da
nação.
A leitura é um dos últimos recantos da liberdade
intelectual. Quem lê cria tanto ou mais que o autor. Com a imaginação solta, o
leitor elabora mentalmente os cenários, compõe o perfil dos personagens,
interpreta diálogos, identifica afinidades pessoais e vive, a seu modo, o
prazer e a infinitude das emoções potencialmente contidas no texto. Quem lê não
recebe imagens prontas, coloridas, acabadas. Tem de construí-las pelo processo
do entendimento e interpretação.
Suas emoções não são pautadas pelas vinhetas da mídia eletrônica que padronizam
as emoções do telespectador - sempre passivo -, para modelar a opinião pública
que interessa aos produtores. O leitor nunca é passivo. Exercita, o tempo todo,
os mecanismos psicodinâmicos que fundamentam, estruturam e aperfeiçoam a
consciência. Por isso, desenvolve a criatividade, refina a percepção, aprimora
o senso crítico e fica imune às manipulações que a comunicação pela imagem
veicula como ingredientes de dominação.
intelectual. Quem lê cria tanto ou mais que o autor. Com a imaginação solta, o
leitor elabora mentalmente os cenários, compõe o perfil dos personagens,
interpreta diálogos, identifica afinidades pessoais e vive, a seu modo, o
prazer e a infinitude das emoções potencialmente contidas no texto. Quem lê não
recebe imagens prontas, coloridas, acabadas. Tem de construí-las pelo processo
do entendimento e interpretação.
Suas emoções não são pautadas pelas vinhetas da mídia eletrônica que padronizam
as emoções do telespectador - sempre passivo -, para modelar a opinião pública
que interessa aos produtores. O leitor nunca é passivo. Exercita, o tempo todo,
os mecanismos psicodinâmicos que fundamentam, estruturam e aperfeiçoam a
consciência. Por isso, desenvolve a criatividade, refina a percepção, aprimora
o senso crítico e fica imune às manipulações que a comunicação pela imagem
veicula como ingredientes de dominação.
A leitura é problematizadora, induz à reflexão,
suscita hipóteses, faz pensar. Já a comunicação pela imagem, ao ser utilizada
como ferramenta de controle da opinião pública, é a negação do pensamento. Não
passa de show visual cheio de efeitos especiais que despertam a sensação do
fantástico, do extraordinário, do instantâneo e promovem a preguiça mental do
expectador por meio do deslumbramento programado. E o deslumbrado não pensa,
admira. Não critica, assimila. Não forma sua opinião, repete a que recebe. Não
reage, absorve. Não cria, consome. Não resiste, deixa-se aculturar. Não se
afirma, submete-se.
Não por acaso as sociedades menos desenvolvidas e mais dominadas são justamente
as que menos lêem. São aquelas que admitem o analfabetismo com naturalidade, se
é que suas elites não o perpetuam deliberadamente. Aliás, um dos indicadores de
desenvolvimento usados na atualidade é o número de televisores difundidos pelo
país. Não é o número de livros publicados ou lidos pelo cidadão. Os grupos
dominantes sabem muito bem que a palavra escrita é incontrolável e portanto
libertadora, enquanto a imagem pode ser cientificamente "editada"
para inibir a liberdade de pensamento. Nesse sentido, a palavra pertence à
sintaxe da revolução, enquanto a imagem é a fonte da ilusão conservadora.
suscita hipóteses, faz pensar. Já a comunicação pela imagem, ao ser utilizada
como ferramenta de controle da opinião pública, é a negação do pensamento. Não
passa de show visual cheio de efeitos especiais que despertam a sensação do
fantástico, do extraordinário, do instantâneo e promovem a preguiça mental do
expectador por meio do deslumbramento programado. E o deslumbrado não pensa,
admira. Não critica, assimila. Não forma sua opinião, repete a que recebe. Não
reage, absorve. Não cria, consome. Não resiste, deixa-se aculturar. Não se
afirma, submete-se.
Não por acaso as sociedades menos desenvolvidas e mais dominadas são justamente
as que menos lêem. São aquelas que admitem o analfabetismo com naturalidade, se
é que suas elites não o perpetuam deliberadamente. Aliás, um dos indicadores de
desenvolvimento usados na atualidade é o número de televisores difundidos pelo
país. Não é o número de livros publicados ou lidos pelo cidadão. Os grupos
dominantes sabem muito bem que a palavra escrita é incontrolável e portanto
libertadora, enquanto a imagem pode ser cientificamente "editada"
para inibir a liberdade de pensamento. Nesse sentido, a palavra pertence à
sintaxe da revolução, enquanto a imagem é a fonte da ilusão conservadora.
A Santa Inquisição não queimava apenas as
"bruxas" e os hereges. Incinerava montanhas de livros em praça
pública para que não fossem lidos. Da mesma forma, em nosso país, agentes dos
governos militares invadiam casas de "subversivos", apreendiam e
destruíam livros cujos títulos e autores integravam a lista dos proscritos do
regime. Os jornais escritos foram duramente censurados, quando não
empastelados. Em vez de criarem escolas para alfabetização e estímulo à
leitura, optaram pela rede de televisão concebida como monopólio destinado a
subjugar o povo, impondo-lhe novos padrões de consumo e dependência externa.
"bruxas" e os hereges. Incinerava montanhas de livros em praça
pública para que não fossem lidos. Da mesma forma, em nosso país, agentes dos
governos militares invadiam casas de "subversivos", apreendiam e
destruíam livros cujos títulos e autores integravam a lista dos proscritos do
regime. Os jornais escritos foram duramente censurados, quando não
empastelados. Em vez de criarem escolas para alfabetização e estímulo à
leitura, optaram pela rede de televisão concebida como monopólio destinado a
subjugar o povo, impondo-lhe novos padrões de consumo e dependência externa.
O último recanto da liberdade intelectual foi
sendo assim tomado de assalto pela ditadura eletrônica. O pensamento humano
tornou-se prisioneiro de telas e cabos. Contudo, nos piores momentos de
repressão, nunca se deixou de escrever e ler. Ainda que clandestinamente. E
foi, quase sempre, na clandestinidade que se produziram os textos e leituras
que transformaram a história do homem. O escritor e o leitor dos dias atuais
não são espécies em extinção, mas militantes da resistência libertária
empurrados para a clandestinidade. Vivem nas catacumbas do atual império da
mídia, mantendo, com a palavra escrita e a leitura, a réstia de luz transformadora
que emana do ato de pensar para iluminar os rumos do futuro.
sendo assim tomado de assalto pela ditadura eletrônica. O pensamento humano
tornou-se prisioneiro de telas e cabos. Contudo, nos piores momentos de
repressão, nunca se deixou de escrever e ler. Ainda que clandestinamente. E
foi, quase sempre, na clandestinidade que se produziram os textos e leituras
que transformaram a história do homem. O escritor e o leitor dos dias atuais
não são espécies em extinção, mas militantes da resistência libertária
empurrados para a clandestinidade. Vivem nas catacumbas do atual império da
mídia, mantendo, com a palavra escrita e a leitura, a réstia de luz transformadora
que emana do ato de pensar para iluminar os rumos do futuro.
Adroaldo Figueiredo,
Boa Viagem
Boa Viagem
Obs: Exerço o meu direito de
liberdade de pensamento e de
expressão, conforme rege o artigo 13 da Constituição
Federal.
liberdade de pensamento e de
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Federal.
POLÍTICA DE PRIVACIDADE
Não é minha intenção a prática do
SPAM. Você, usuário da Internet, tem a liberdade e o direito de escolher
e de dizer o que é bem-vindo ou não à sua caixa postal. Se os assuntos política
e cidadania não lhe interessam, por favor me comunique e com toda certeza irei
retirar seu e-mail da minha mailling-list. Basta enviar um e-mail para amabv@bol.com.br ou adrofig@ig.com.br e escreva no espaço do assunto: "remover". Desculpe-me caso
tenha lhe importunado com meus e-mails, isto não acontecerá mais! Obrigado!
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"Quem lê não recebe imagens prontas, coloridas, acabadas. Tem de construí-las pelo processo do entendimento e interpretação"
ResponderExcluirAdorei seu texto! Super interessante e atual...
Quase ninguém mais lê hoje em dia, é tudo pronto!!!!
Parabéns!
Beijos,
Sonia.
O Adroaldo escreve muito bem e estou contente de publicar.........
ResponderExcluirQue bom que vc gosta do que ele escreve.......
beijinhos,