domingo, 4 de junho de 2006

Um amor de Boa Viagem






Referenciar o sentimento amor e posicioná-lo é sempre tão complexo
porque deve-se levar em conta a subjetividade de cada um. Valores que
determinam a experiência de amar são variáveis. O que há em comum, é como o
sentimento se manifesta, a partir da interação de pelo menos dois elementos, um
vivo e outro que não precisa estar necessariamente na mesma condição.



Ama-se um projeto, um objeto, um ambiente, qualquer coisa a qual podemos
atribuir sentido, constituir ligação - o que promove a sensação de
pertencimento. O tempo para isso acontecer é relativo, muitas vezes
imperceptível; o processo é decorrente de construções simbólicas instintivas e
culturais afinal, não somos movidos apenas pelo desejo mas sim também ensinados
a gostar de coisas que a priori só fazem sentido porque alguém aparentemente
confiável disse que é bom.



É natural gostarmos daquilo que nos fortalece como indivíduo. Natural
também seria amarmos nosso meio, a cidade em que crescemos, trabalhamos, o
bairro onde vivemos, pois, é neste espaço que nos desenvolvemos e podemos estar
melhores a cada dia. Como na relação estabelecida entre os dois elementos -
cidadão e cidade-bairro, no caso do Recife e Boa Viagem-boa-viagenses, não
há noção de pertencimento em nenhuma das partes, a identificação entre ambos
também não existe, o que acarreta distanciamento, descaso múltiplo.



Esse é o meu Bairro de Boa Viagem, o meu grande
amor, que faz 299 anos no próximo dia 06 de junho. É o mais
populoso da cidade, com mais de 105 mil habitantes. Mesmo sendo apenas o oitavo
mais rico da cidade, quem mora aqui é considerado por muita gente como
sendo da elite. Talvez porque nós somos contribuintes de uma grande fatia
da arrecadação municipal. Boa Viagem é um dos lugares mais invejados
e disputados da cidade, um dos que mais crescem em investimentos no comércio e
o mais atingido pela especulação imobiliária. Nele está a querida praia de
Boa Viagem, reconhecida como uma das melhores em áreas urbanas, um dos maiores
shoppings centers do Brasil, os melhores hotéis e restaurantes mais badalados
da cidade. São inúmeros supermercados, lojas de conveniência, postos
de combustíveis e farmácias de funcionamento 24 horas entre outros
atrativos para quem mora ou visita Boa Viagem.



Mesmo assim, infelizmente, o Bairro de Boa Viagem não
encontra-se preparado para proporcionar o bem estar básico para a sobrevivência
dos seus moradores cidadãos e muito menos bem estar variável para a manutenção
das necessidades culturais introjetadas socialmente ao cotidiano da cidade. Os
indivíduos que nele moram tampouco foram estimulados a exercer a cidadania, não
existe mobilização para lutas coletivas, a maioria não possui
sensibilidade sequer para zelar pelo patrimônio público que existe em prol de
seu próprio benefício e do outro. A idéia é de que não há motivos para
zelar por aquilo que não lhe pertence; de fato, nem sempre está a disposição do
cidadão infra-estrutura e instrumentos adequados. Boa Viagem pouco
valoriza e mal respeita o cidadão. Os nossos governantes, idem.



Nem a Prefeitura do Recife e nem o Governo do Estado, nos últimos
anos, vem dando a atenção que Boa Viagem merece, pela sua importância e nem
mesmo por justiça, já que ele sozinho é responsável por mais de 1/4 da arrecadação
municipal. Prova disso é que novamente esse ano, não vamos ter nenhuma
comemoração do seu aniversário. Mesmo porque, não há muito o que comemorar. O
Trânsito continua sem uma solução; as prostitutas continuam a infernizar a vida
de muitos moradores e nos envergonhando a todos; Segurança inexiste na região,
a violência anda deixando os moradores apavorados e nunca se viu tantos
investimentos em grades, câmeras, construção de muros e guaritas em Boa Viagem.



Agora só em 2008 haverá uma nova possibilidade de
reverter esse quadro, acionada com a eleição de uma nova proposta
administrativa municipal, florescendo expectativas para que cidade e cidadãos
interajam. Pois só mesmo através de políticas públicas qualificadas, para que a
cidade dê condições à salubridade e respaldo à criatividade dos indivíduo
poderá nutrir o cidadão de capacitação para que ele se sinta participante
de uma engrenagem que tem por objetivo promover bem estar genérico, tal como é
de direito de todos e, igualmente obrigação de todos para manter-se assim.



É preciso esclarecimento para compreender que nenhum dos elementos
mencionados funciona perfeitamente sozinho. A cidade, por mais preparada que
possa estar, sempre será o elemento morto da relação; o vivo, que dá o tom do
funcionamento, que insere brilho e dá sentido à todo equipamento disponível é o
próprio cidadão (morador), agente principal para promover bem estar. É preciso
zelar por todo patrimônio público que lhe pertence, cobrar constantemente
melhorias materiais dos administradores. Exigir respeito e respeitar pois amar
a cidade, o seu bairro, é querer bem a própria vida.



Sou boa-viagense, moro há mais de 20 anos aqui. Amo
esse Bairro, e orgulho-me disso. Crítico ferrenho, não tenho poupado ferroadas
quando merecemos. Mas o faço por amor, não por desamor. Tenho certeza que não
existe ninguém que torça mais do que eu, para que esse Bairro, essa Cidade e
Estado se tornem melhores para todos. Sou feliz ao me apresentar
como recifense. Sou pernambucano e brasileiro com muita honra. E, diferente
de muitos conterrâneos, não há nessa afirmação qualquer resquício de
ufanismo ingênuo.



Adroaldo Figueiredo,
publicitário - ex-presidente da AMABV-Associação dos Moradores & Amigos de
Boa Viagem, 2001~2004 – amabv@bol.com.br



Reenvie este texto para sua lista de amigos. Autorizo a publicação
do mesmo em qualquer meio de comunicação.




O artigo 13
- Liberdade de pensamento e de expressão da Constituição Federal, nos
itens 1 a 3 estabelece:




1. Toda pessoa tem
o direito à liberdade de pensamento e de expressão. Esse direito inclui a liberdade de procurar, receber
e difundir informações e idéias de qualquer natureza, sem considerações
de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em
forma impressa ou artística, ou por qualquer meio de sua escolha.




2. O exercício do
direito previsto no inciso precedente não pode estar
sujeito à censura prévia, mas a responsabilidades ulteriores,
que devem ser expressamente previstas em lei e que se façam
necessárias.






3.
Não se pode restringir o direito de expressão por vias e meios
indiretos, tais como o abuso de controles oficiais ou particulares de
papel de imprensa, de freqüências radioelétricas ou de equipamentos e
aparelhos usados na difusão de informação, nem por quaisquer outros
meios destinados a obstar a comunicação e a circulação de idéias e
opiniões.






2 comentários:

  1. oi amiga.... estou botando umas musicas aqui...depois vem ouvir. beijo!!
    Lu olhosdemar

    ResponderExcluir
  2. Ok amiga,
    vamos aguardar....
    beijocs,

    Francy

    ResponderExcluir