Bichinho
ardiloso
Pensei
num assunto muito melhor para escrever. Mas achei que, mesmo assim, minha
indignação com a Mãe Natureza valia a pena ser partilhada. Afinal de contas, o
que você está prestes a ler é, seguramente, o texto mais unânime que já se
contou aqui.
Porque é que existe muriçoca heim? Não sei, mas é algo que
todo mundo já se perguntou às 2 da manhã com um travesseiro na mão. Veio-me a
mente de novo, ontem, enquanto percebia que a força aérea tinha invadido o meu
quarto. Alías, no Recife não temos com escapar dessa praga - elas atacam de dia
e a noite, nem mesmo a beira-mar estamos livres dela. A população desse inseto
na cidade dá de 10 a zero na população de gente. O número desse tipo de inseto
na cidade é dez vezes superior ao da população. Eles são maioria, por isso, não
podemos nem reclamar deles. Isso, porque eles só vivem, em média, 7 dias. Se
vivessem mais que isso, já teríam dominado o Brasil.
Tá, a natureza é
sábia, Deus sabe o que faz... mas será que vai fazer tanta falta assim pro
ecossistema se erradicarem as muriçocas da face da terra? Tirando as lagartixas,
tem mais alguém aí que come esse bicho pernudo? E que bicho come lagartixa?
Ninguém pode gostar de um treco gelado e branquelo daquele.
Um inseto que
nasce com o objetivo de te deixar com bolinhas que coçam e zumbir na sua orelha
na hora de dormir... 6 bilhões de seres humanos não podem estar
errados.
Cheguei em casa, tomei meu banho, coloquei meu pijama, peguei
meu livro. Fiquei lendo durante algumas horas dentro do meu quarto com as portas
fechadas, ar-condicionado ligado. Aliás, meu quarto é daqueles cheio de
marquinhas de muriçocas esborrachadas nas paredes e no teto. Silêncio total. Só
o som da minha respiração e das páginas sendo viradas a cada 10
minutos.
Lá pelas tantas, briguei com o sono pra terminar mais um
capítulo antes de apagar a luz. E apagar a luz é o sinal para esse insetinho
covarde e maquiavélico pegar uma cornetinha e “Tatatatá –tatá”. Que ódio que
dá.
Fico imaginando aquele monte de muriçoquinhas escondidas atrás da
cortina, cochichando e dando risadinha:
- E aí, já dormiu?
- Nada, já
tá na página 67 e nem piscou duro ainda.
- Manhê, tô com fome.
- Calma
filho, com a luz acesa é muito perigoso.
- Só uma mordidinha vai, só uma, no
pé vai, por favor, vai!!
O que dizem é que o macho é o barulhento. Ele
tem a missão de te agitar para que o seu sangue circule e assim facilite a ação
da megera da muriçoca, mulher dele, que é quem vem te picar. Bichinho
ardiloso... e ainda ficam mancomunados em casalzinho!
Acendi a luz. Nada.
Ninguém. Nem um zumbido, nem uma sombrinha na parede. Travesseiro numa mão e o
inseticida na outra. “Apareça agora seu pulha! Venha até aqui e lute!” Com sono,
mal humorado, mas sem descansar enquanto não esmagar um por um. Minha técnica
mais eficaz é espirrar o inseticida bem em cima da desgraçada ou então usar meu
método infalível de esmagar a infeliz com as duas mãos em pleno
vôo.
Agora conheço gente que apela total pra ignorância. Um dia estava na
casa de um amigo meu, batendo um papo na cozinha enquanto ele preparava um
lanche. Ele mora ali pertinho próximo da lagoa Encanta Moça, no Pina, há 2
quarteirões da maior maternidade de muriçocas do Recife: o Rio Pina - onde
é despejado todo esgoto de Boa Viagem. Na casa dele, tem muriçoca demais, é
coisa de 100 pra cima. Pois eu vi esse indivíduo entrando na cozinha arrastando
um aspirador de pó, subindo em cima de uma cadeira e sugando todo o contingente
desavisado que estava ali pousado no teto. Sem sujeira, vestígios ou gases
tóxicos. É tecnologia.
Por falar nisso estou pensando em comprar uma
daquelas raquetinhas que dão choque. Já viram isso? É incrível, você dá uma
raquetada no bicho e ele morre eletrocutado!
Pensando melhor no assunto,
muriçoca tem sim uma bela razão de existir: não há nada melhor para exercitar
meu lado mais sádico.
num assunto muito melhor para escrever. Mas achei que, mesmo assim, minha
indignação com a Mãe Natureza valia a pena ser partilhada. Afinal de contas, o
que você está prestes a ler é, seguramente, o texto mais unânime que já se
contou aqui.
Porque é que existe muriçoca heim? Não sei, mas é algo que
todo mundo já se perguntou às 2 da manhã com um travesseiro na mão. Veio-me a
mente de novo, ontem, enquanto percebia que a força aérea tinha invadido o meu
quarto. Alías, no Recife não temos com escapar dessa praga - elas atacam de dia
e a noite, nem mesmo a beira-mar estamos livres dela. A população desse inseto
na cidade dá de 10 a zero na população de gente. O número desse tipo de inseto
na cidade é dez vezes superior ao da população. Eles são maioria, por isso, não
podemos nem reclamar deles. Isso, porque eles só vivem, em média, 7 dias. Se
vivessem mais que isso, já teríam dominado o Brasil.
Tá, a natureza é
sábia, Deus sabe o que faz... mas será que vai fazer tanta falta assim pro
ecossistema se erradicarem as muriçocas da face da terra? Tirando as lagartixas,
tem mais alguém aí que come esse bicho pernudo? E que bicho come lagartixa?
Ninguém pode gostar de um treco gelado e branquelo daquele.
Um inseto que
nasce com o objetivo de te deixar com bolinhas que coçam e zumbir na sua orelha
na hora de dormir... 6 bilhões de seres humanos não podem estar
errados.
Cheguei em casa, tomei meu banho, coloquei meu pijama, peguei
meu livro. Fiquei lendo durante algumas horas dentro do meu quarto com as portas
fechadas, ar-condicionado ligado. Aliás, meu quarto é daqueles cheio de
marquinhas de muriçocas esborrachadas nas paredes e no teto. Silêncio total. Só
o som da minha respiração e das páginas sendo viradas a cada 10
minutos.
Lá pelas tantas, briguei com o sono pra terminar mais um
capítulo antes de apagar a luz. E apagar a luz é o sinal para esse insetinho
covarde e maquiavélico pegar uma cornetinha e “Tatatatá –tatá”. Que ódio que
dá.
Fico imaginando aquele monte de muriçoquinhas escondidas atrás da
cortina, cochichando e dando risadinha:
- E aí, já dormiu?
- Nada, já
tá na página 67 e nem piscou duro ainda.
- Manhê, tô com fome.
- Calma
filho, com a luz acesa é muito perigoso.
- Só uma mordidinha vai, só uma, no
pé vai, por favor, vai!!
O que dizem é que o macho é o barulhento. Ele
tem a missão de te agitar para que o seu sangue circule e assim facilite a ação
da megera da muriçoca, mulher dele, que é quem vem te picar. Bichinho
ardiloso... e ainda ficam mancomunados em casalzinho!
Acendi a luz. Nada.
Ninguém. Nem um zumbido, nem uma sombrinha na parede. Travesseiro numa mão e o
inseticida na outra. “Apareça agora seu pulha! Venha até aqui e lute!” Com sono,
mal humorado, mas sem descansar enquanto não esmagar um por um. Minha técnica
mais eficaz é espirrar o inseticida bem em cima da desgraçada ou então usar meu
método infalível de esmagar a infeliz com as duas mãos em pleno
vôo.
Agora conheço gente que apela total pra ignorância. Um dia estava na
casa de um amigo meu, batendo um papo na cozinha enquanto ele preparava um
lanche. Ele mora ali pertinho próximo da lagoa Encanta Moça, no Pina, há 2
quarteirões da maior maternidade de muriçocas do Recife: o Rio Pina - onde
é despejado todo esgoto de Boa Viagem. Na casa dele, tem muriçoca demais, é
coisa de 100 pra cima. Pois eu vi esse indivíduo entrando na cozinha arrastando
um aspirador de pó, subindo em cima de uma cadeira e sugando todo o contingente
desavisado que estava ali pousado no teto. Sem sujeira, vestígios ou gases
tóxicos. É tecnologia.
Por falar nisso estou pensando em comprar uma
daquelas raquetinhas que dão choque. Já viram isso? É incrível, você dá uma
raquetada no bicho e ele morre eletrocutado!
Pensando melhor no assunto,
muriçoca tem sim uma bela razão de existir: não há nada melhor para exercitar
meu lado mais sádico.
Adroaldo
Figueiredo
Figueiredo
adrofig@ig.com.br
Nunca ouvi esse termo - muriçoca - por aqui. Pelos vistos deve ser um mosquitinho safado que inferniza qualquer um que queira ter um sono descansado e merecido, no final de um dia de trabalho. Abaixo esse tal de miriçoca. Rsrsrsrs.
ResponderExcluirNome popular: Mosquito, pernilongo, muriçoca
ResponderExcluirNome científico: Culex quinquefasciatus
Onde vive: Em solos alagados, lagoas e córregos poluídos pelo homem nos centros urbanos.
O que transmite: Tipo de filariose conhecida como elefantíase.
Horário de pico: À noite.
Como prevenir: Colocar telas em portas e janelas, usar repelentes elétricos ou à base de citronela.
Em Portugal conhecido com o nome de MELGA.... conheces???
beijinhos
Como não conheço esse bichinho que zune à volta da minha cabeça sobretudo no verão. São tão chatos que quando tem alguém que não desgruda do nosso pé chamamos de "melgas". Também dizemos "já estás a melgar". Conheci o pernilongo quando estive ai no Brasil (Guarujá). Tinham umas pernas mesmo longas. Aqui os mosquitos têm umas pernitas mais pequeninas.
ResponderExcluirBjos.
Paula eu não estou lá no Brasil.estou aqui em Leiden na Holanda....
ResponderExcluirBeijinhos,
Francy
Muito bom...Dei boas risadas!Realmente esse bichinho tira qualquer um do sério!
ResponderExcluirAqui onde eu moro, Maranhão, esse mosquito já sofreu mutação, BAIGON num dá mais jeito :S O jeito é a raquetinha elétrica mesmo, que além de divertida, deixa aquele gostinho de " te peguei safada!"
Abraço!
Olá,
ResponderExcluirEntão moras no Maranhão??? em que cidade??? pois eu sou daí e vim parar aqui... e por aqui existem sim alguns, mas lá em Recife, onde moramos de vez em quando, eles sobem ao 28º andar para perturbar a vida dos outros e de quebra, eles passam pelo 19º e me chateiam quando lá estamos... ah!!!!kkkk.. vamos levar uma raquetinha elétrica para assustá-los....kkkk